segunda-feira, maio 23, 2011

Aprendizagem e seus Valores


Aprendizagem e seus valores

Quando falo de aprendizagem, comento de um ser que pensa e que reage diante de diferentes situações vivenciadas de forma real, de forma intra e interpessoal, de um sujeito que carrega uma carga muitas vezes do não saber.
 Comento de uma vivência onde o indivíduo pode seguir ou não sua trajetória acadêmica, caminhar este que requer vasto conhecimento, não só das aquisições conquistadas e elaboradas no seu dia-a-dia, mas também conhecimento social, familiar e emocional.
O conhecimento familiar está atrelado aos valores que influenciam no seu cotidiano, no  julgamento do certo e errado, no  amadurecimento e nas suas decisões,  na busca enquanto caminhante de sua construção.
Não podemos  esquecer que fazemos parte da sociedade pós-moderna, que exige o aumento do conhecimento e especialidade. Novas aprendizagens estão incorporadas cuja aquisição nem sempre pode ser garantida simplesmente pela inserção do individuo na instituição de ensino, uma vez que a escola é apenas um dos diferentes contextos educativos.
A participação do sujeito dentro do contexto escolar é decisiva,  para que  possa adquirir e desenvolver determinadas capacidades consideradas essenciais para  o grupo social ao qual pertence.
É neste conjunto de busca que as  alterações pedagógicas e as dificuldades de aprendizagem,  surgem de forma inquietante dentro da instituição escolar e familiar amarrando todo o núcleo. O aluno por não compreender os fatos tenta buscar diferentes caminhos.
Trilha onde pauta a autorização desta família diante do saber deste sujeito. A parceria da família é de suma importância na vida escolar destes indivíduos. Onde a apreensão ocorre no tempo de cada ser, mas este deve ser estimulado e valorizado e não contemplado diante de suas falhas e faltas.
Tenho vivido experiências onde o cuidador não autoriza o seu ente querido a buscar sua aprendizagem, não permite que este tenha o desejo  de ousar, de seguir adiante para amadurecer e para refletir sobre a sua caminhada, tornando-se independente.
Quando o fracasso escolar vem à tona, a negação do não saber desta família explode como um vulcão. Saber muitas vezes velado, revelado dentro do núcleo que outrora estava camuflado ou adormecido.
Quando reveladas as inabilidades dos filhos,  os pais tendem a não aceitar, pois é um não saber que se torna caro. Medo deste filho não caminhar com sucesso, em ser discriminado pelos professores, o coitadinho do sistema escolar e do seu ciclo familiar.
Sinto que estes sujeitos estão limitados aos desejos dos pais, tornando-se difícil sair da redoma que lhe proporcionaram. Muitas vezes este lugar torna-se confortável, pois só assim consegue prover atenção dos seus pais.
Portanto, não ensinamos nossos filhos a buscar, a conquistar  seus desejos, assim formamos adultos sem sonhos, limitados, irresponsáveis esperando sempre que o “outro” lhe dê alguma coisa em troca.
E neste trajeto, sonhos são aniquilados por pura proteção, ou ignorância  por não permitir que o outro se frustre tanto quanto ele (pai/ mãe)  frustrou-se perante a busca  da sua aprendizagem em sua história escolar e familiar.
Lidar com as frustrações é abrir as comportas dos seus medos e anseios, do seu sofrimento.
 As frustrações devem ser vivenciadas, lidas e  analisadas pelo outro de maneira positiva, pois o mesmo necessita adquirir experiência de vida para ter noção do certo e do errado. Diante do amadurecimento o sujeito dá inicio a uma nova roupagem em suas elaborações, reorganiza  seu processo e avança cada vez mais em suas  lutas pelos seus ideais.
A aprendizagem é um processo que se efetua a partir de determinadas estruturas cognitivo-afetivas, as quais se modificam em contato com o meio externo provocando transformações, num constante intercâmbio entre quem aprende e o meio  no qual está inserido. A base do desenvolvimento da aprendizagem está tanto na relação que se estabelece com o outro, como nas capacidades e  nas motivações para aprender.
Segundo a Dra. Cristina M. Barreto Cupertino,  devemos “Entender  o sujeito não mais de um modelo ideal de ser humano, mas como um sujeito contextualizado e conseqüentemente diferente dos demais, pois estão inseridas no sistema familiar. E o acolhimento é necessário.” 
Reforça-se que  o crescimento do individuo depende  das necessidades constantes dos processos de maturação que são investidas pela família, escola e pelo grupo social que está inserido.
            Para que uma criança aprenda é necessário que ela tenha o desejo de aprender. E que, sobretudo, o desejo dos pais a autorizem. Como confirma Mannonni (1981), “as crianças andam não só porque tem pernas, mas porque seus pais assim o permitem”.
Toda criança precisa ter consentimento dos pais, ainda que inconsciente, para crescer. Segundo Bion (1994), o grupo familiar exerce um controle mútuo para impedir que qualquer membro faça contribuições diferentes daquelas ditadas pelas regras da família.
Augusto Cury relata em seu livro O vendedor de Sonhos -  “uma existência sem sonhos é uma semente sem solo, uma planta sem nutrientes”.
Será que eles saberão solucionar os conflitos da sua própria vida, ou estarão amarrados a uma dinâmica familiar utópica, cheias do desejo não revelado.
Acredito que devemos formar cidadãos/videira, pois qualquer um pode alcançar seus frutos e caminhar livremente com o seu saber.

Cuiabá, 23 de maio de 2011.

Maria Masarela Marques dos Passos
Pedagoga – Psicopedagoga – Formação em Dislexia e Psicanálise

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
BOSSA, Nádia A. – Fracasso Escolar: um olhar psicopedagógico. Artmed, 2002.
MORGADO, Maria Aparecida – Da Sedução na Relação Pedagógica: professor aluno no embate com afetos inconscientes, 2ª Ed. São Paulo, Summus, 2002.
VISCA, Jorge. Clínica Psicopedagógica Epistemológica Convergente, Porto Alegre, Artes Médicas, 1987.
SANTOS, Maria Thereza Mazorra dos  e Navas, Ana Luiza G. P.– Distúrbios de Leitura e Escrita – Teoria e Prática, Barueri – SP - Manole, 2004.
KUPFER, Maria Cristina – Freud e a Educação: o mestre do impossível, São Paulo, Scipione, 1989.
Cury, Augusto – O vendedor de sonhos e a revolução dos anônimos – São Paulo: Editora Academia de Inteligência, 2009.
MORGADO, Maria Aparecida – Da Sedução na Relação Pedagógica: professor aluno no embate com afetos inconscientes, 2ª Ed. São Paulo, Summus, 2002.
ELIA, Luciano – O conceito do Sujeito, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Ed. 2004.
POLITY, Elizabeth – Dificuldade de Aprendizagem e Família: Construindo Novas Narrativas, Ed. Vetor, 1ª Edição, 2001.
MIRANDA, Margarete Parreira – Adolescência na escola – Soltar a corda e segurar a ponta, Formato Editorial Ltda., 2002.


quinta-feira, abril 28, 2011

FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA

FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA

 “A Psicopedagogia é uma nova área de atuação profissional que busca uma identidade, e que requer uma formação de nível interdisciplinar, o que já é sugerido no próprio termo Psicopedagogia”. (Bossa, 1995, p.31)

Breve Histórico da Psicopedagogia
Os primeiros centros Psicopedagógicos foram fundados na Europa (1946) por Boutonier e George Mauco, com direção médica e pedagógica unindo conhecimento na área da Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, onde tentavam readaptar crianças com comportamentos socialmente inadequados na escola ou no lar, e atender crianças com dificuldades de aprendizagem apesar de serem inteligentes (BOSSA, 2000, p39).
Esta corrente europeia influenciou a Argentina. Buenos Aires foi a primeira cidade a oferecer o curso de psicopedagogia.
A Psicopedagogia chegou ao Brasil, na década de 70, com a colaboração de Jorge Visca. Nessa década já havia algum movimento científico / acadêmico em Porto Alegre.   
Os primeiros cursos formais de Psicopedagogia eram denominados de Reeducação Psicopedagógica, Psicopedagogia Terapêutica, Dificuldades Escolares, entre outros. Esses cursos ocorreram primeiramente em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.

O percurso da Psicopedagogia brasileira foi:

o   Associação Estadual de Psicopedagogos de São Paulo (1980), posteriormente Associação Brasileira de Psicopedagogia (1985),

 Conceitos
Psicopedagogia.
Segundo o Dicionário Aurélio, é definido como “aplicação da psicopedagogia experimental à pedagogia”.

Bossa diz que a  psicopedagogia, como área de aplicação, antecede o status de área de estudos, a qual tem procurado sistematizar um corpo teórico prático próprio, definir o seu objeto de estudo, delimitar o seu campo de atuação, e para isso recorrer à Psicologia, Psicanálise, Linguística, Fonoaudiologia, Medicina e a Pedagogia.

Para Maria M. Neves, “ falar sobre psicopedagogia é, necessariamente, falar sobre a articulação entre educação e psicologia, articulação essa que desafia estudiosos e práticos dessas duas áreas”.

Para Kiguel, que também  tem contribuído nesse processo de construção do saber psicopedagógico, “historicamente a Psicopedagogia surgiu na fronteira entre a Pedagogia e a Psicologia, a partir das necessidades de atendimento de crianças com distúrbios de aprendizagem”,  afirma ainda  que o fracasso escolar não é só Pedagógico e psicológico, mas também  da desnutrição.

Scoz, diz que o objeto de estudo da psicopedagogia deve ser entendido a partir de dois enfoques: preventivo e terapêutico. O primeiro considera o objeto do estudo de psicopedagogia o ser humano em desenvolvimento enquanto educável, e o segundo uma identificação, análise, elaboração de uma metodologia de diagnóstico e tratamento das dificuldades de aprendizagem.

Do ponto de vista de Weiss, “a psicopedagogia busca a melhoria das relações com a aprendizagem, assim como a melhor qualidade na construção da própria aprendizagem de alunos e educadores”.

Segundo Jorge Visca, a psicopedagogia, perfilou-se como um conhecimento independentemente e complementar, possuída de um objeto de estudo – o processo aprendizagem – e de recursos diagnósticos, corretos e preventivos próprios.

Para Bossa a psicopedagogia estuda as características da aprendizagem  humana: como se aprende, como essa aprendizagem varia evolutivamente e está condicionada por vários fatores, como se produzem as alterações na aprendizagem, como reconhecê-las, tratá-las e preveni-las.

Atualmente  a psicopedagogia trabalha com uma concepção de aprendizagem de acordo com a relação do sujeito com o meio, suas disposições afetivas e intelectuais. Como já vimos anteriormente, na Psicopedagogia pode ser trabalhado o clínico e o preventivo. Como preventivo podem ser trabalhadas as questões didático-metodológicas, bem como a formação e orientação dos professores e aconselhamento dos pais. Diminuir e tratar os problemas já instalados. Como clínico, o psicopedagogo precisa conhecer o sujeito, quais os recursos de conhecimento que ele dispõe e como aprende e produz conhecimento.
É preciso que o psicopedagogo saiba o que  é ensinar e o que é aprender.
Leda Barone no II Encontro Psicopedagógico enfatiza que o psicopedagogo deve assumir a polaridade do seu papel como:

o   Levar em conta o papel da família como transmissor de cultura e, matriz dos primeiros modelos de aprendizagem;

o   Reconhecer a escola como um espaço onde o sujeito adquire conhecimentos que se transformam em saber;

o   Considerar a instituição hospitalar como elemento fundamental na realização de diagnósticos para a identificação de dificuldades de aprendizagem;

o   Favorecer a aprendizagem do sujeito ao assumir novas funções em seu contexto de trabalho.

 O psicopedagogo, no Brasil, ocupa-se  das seguintes atividades conforme Lino de Macedo:

1 - Orientação de estudos – organizando a vida escolar da criança quando esta não sabe fazê-lo espontaneamente como ler um texto, como escrever, como estudar, etc.

2 - Apropriação dos conteúdos escolares – propiciar o domínio de disciplinas escolares que a criança não vem atingindo bons resultados;

3 - Desenvolvimento do raciocínio – Os jogos são muito utilizados, criando um contexto de observação e diálogo sobre processos de pensar e de construir o conhecimento.

4 - Atendimento a criança – Atende a deficientes mentais, autistas, hiperativos ou com comportamentos orgânicos mais graves, podendo até substituir o trabalho da escola.

Para Alicia Fernández, esse saber só é possível com uma formação que se oriente sobre três pilares:

o   Prática clínica: em consultório individual, grupal e familiar;

o   Construção teórica: permeada pela prática;

o   Tratamento psicopedagógico-didático: construção do olhar e da escuta clínica.

 Quem é o Psicopedagogo?
Síntese extraída do Projeto de Lei nº 3124/97 do Deputado Barbosa Neto que regulamenta a profissão do Psicopedagogo.
Poderão exercer a profissão de Psicopedagogo no Brasil os portadores de certificado de conclusão em curso de especialização em Psicopedagogia em nível de pós-graduação, expedido por instituições devidamente autorizadas nos termos da legislação pertinente.

O Psicopedagogo:

1. Possibilita intervenção visando à solução dos problemas de aprendizagem tendo como enfoque o aprendiz ou a instituição de ensino público ou privado;

2. Realiza o diagnóstico e intervenção psicopedagógica, utilizando métodos, instrumentos e técnicas próprias da Psicopedagogia;

3. Atua na prevenção dos problemas de aprendizagem.

4. Desenvolve pesquisas e estudos científicos relacionados ao processo de aprendizagem e seus problemas;

5. Oferece assessoria aos trabalhos realizados em espaços institucionais;

6. Orienta, coordena e supervisiona cursos de especialização de psicopedagogia, em nível de pós-graduação expedidos por instituições, devidamente autorizadas ou credenciadas nos termos da legislação vigente.

                       TEORIAS QUE EMBASAM O TRABALHO PSICOPEDAGÓGICO

Conhecer os fundamentos da Psicopedagogia requer refletir sobre suas origens teóricas, revisando os impasses conceituais na ação da Pedagogia e da Psicologia no processo ensino-aprendizagem, os quais envolvem tanto o social quanto o individual, tanto transformadores quanto reprodutores.
A psicopedagogia ainda se encontra em fase embrionária e seu corpo teórico encontra-se em plena construção. A cada dia surgem novas ideias, novas situações e mais transformações.
Bossa diz que podemos caracterizar a psicopedagogia como uma área de confluência do psicólogo (a subjetividade do se humano como tal) e do educacional (atividade especificamente humana, social e cultural). (200,p.28). O psicopedagogo ensina como aprende e, para isso, necessita aprender o aprender e a aprendizagem.           
Na aprendizagem o indivíduo ao se apropriar de conhecimentos e técnicas, constrói na sua interiorização um universo de representações simbólicas.
Historicamente,  a Psicopedagogia nasceu para atender a patologia da aprendizagem, uma vez que acredita que muitas dificuldades de aprendizagem se devem a inadequação da psicopedagogia institucional e familiar. Devido a complexidade do seu objeto de estudo são importantes à Psicopedagogia conhecimentos específicos de diversas outras teorias, as quais incidem sobre os seus objetos de estudos:
Como seres humanos, nos diferenciamos pela nossa capacidade de aprender, mudar, fazer história, na qual o pensar alicerça esse processo de mutação. Pensar envolve duvidar, perguntar, questionar. É uma maneira de investigar, pesquisar o mundo e as coisas, por isso mesmo encerra algo que perturba, provoca mal-estar, insegurança, porque aquilo que  nos parecia seguro foi atingido em nosso pensamento.
A Epistemologia e a Psicologia Genética se encarregam de analisar e descrever o processo construtivo do conhecimento pelo sujeito em interação com os outros e com os objetos.
A linguística traz a compreensão da linguagem como um dos meios que caracterizam tipicamente o humano e cultural: a língua enquanto código disponível a todos os membros de uma sociedade e a fala como fenômeno subjetivo, evolutivo e historiado de acesso a estrutura simbólica.
A Pedagogia contribui com as diversas abordagens do processo ensino-aprendizagem, analisando-o do ponto de vista de quem ensina.
Os fundamentos na Neuropsicologia possibilitam a compreensão dos mecanismos cerebrais que subjazem ao aprimoramento das atividades mentais, indicando-nos a que correspondem do ponto de vista orgânico, todas as evoluções ocorridas no plano psíquico.
Neste trabalho de ensinar e aprender, o psicopedagogo recorre a critérios diagnósticos no sentido de compreender a falha na aprendizagem. A investigação diagnóstica envolve a leitura de um processo complexo: como o individual, o familiar atual e passado, o sociocultural, o educacional e a aprendizagem.
Atualmente, a Psicopedagogia refere-se a um saber, e a um saber a fazer, as condições subjetivas e relacionais  especialmente familiares e escolares – as inibições, atrasos e desvios do sujeito ou grupo a ser diagnosticado. O conhecimento psicopedagógico  avalia a possibilidade do sujeito, a disponibilidade afetiva de saber e de fazer, reconhecendo que o saber é próprio do sujeito.
O trabalho clínico não deixa de ser preventivo, pois ao tratar alguns transtornos de aprendizagem, pode evitar o aparecimento de outros.
      Na sua função preventiva, cabe ao psicopedagogo:

o   Detectar possíveis perturbações no processo de aprendizagem;

o   Participar da dinâmica das relações da comunidade educativa, a fim de favorecer o processo de integração e troca;

o   Promover orientações metodológicas de acordo com as características dos indivíduos e grupos;

o   Realizar processos de orientação educacional, vocacional e ocupacional, tanto na forma individual ou grupal.    

Historicamente, a Psicopedagogia nasceu para atender a patologia da aprendizagem, mas está cada vez mais voltada para uma ação preventiva.
Devido a complexidade do seu objeto de estudo, são importantes à Psicopedagogia conhecimentos específicos de diversas outras teorias, as quais incidem sobre os seus objetos de estudos:      

 CAMPO DE ATUAÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA

Historicamente tanto na prática preventiva como na clínica, o profissional deve estar embasado em referencial teórico na sua função preventiva, onde cabe ao psicopedagogo:

o   Detectar possíveis perturbações no processo de aprendizagem;

o   Participar da dinâmica das relações da comunidade educativa, a fim de favorecer processos de integração e troca;

o   Promover orientações metodológicas de acordo com as características dos indivíduos e grupos;

o   Realizar processos de orientação educacional, vocacional e ocupacional, tanto na forma individual quanto em grupo.


O QUE O PSICOPEDAGOGO OBSERVA NO INDIVÍDUO
       o   Coordenação motora ampla;

o    Aspectos sensório motor;

o   Dinâmica lateral;

o   Desenvolvimento rítmico;

o   Desenvolvimento motor fino;

o   Criatividade;

o   Evolução do traçado e do desenho;

o   Percepção e discriminação visual e auditiva;

o   Percepção espacial;

o   Percepção Viso-motor;

o   Orientação e relação espaço – temporal;

o   Aquisição e articulação de sons;

o   Aquisição de palavras novas;

o   Elaboração e organização mental;

o   Atenção e concentração;

o   Expressão plástica;

o   Aquisição de conceitos;

o   Discriminação e correspondência de símbolos;

o   Raciocínio lógico matemático.


A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA

 A psicopedagogia em seu desejo de conhecer mais sobre o outro para poder ajudá-lo a vencer suas dificuldades, superar seus problemas de aprendizagem e compreender os elementos que interferem nesse processo, em busca da autoria de pensamento, tem como o seu maior desafio: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.
A busca do autoconhecimento, a busca da autonomia, permeada pela dimensão social, no que se refere aos valores e atitudes, a dimensão pessoal, no que se refere aos afetos, sentimentos e preferências dos indivíduos, todos esses fatos aliados ao desenvolvimento global explicam a importância crescente da Psicopedagogia que, na sua concepção atual, já nasce com uma perspectiva globalizadora condizente com os rumos da aprendizagem nesse século. Ela ocupa um espaço privilegiado justamente porque não está em um único lugar.
Portanto, o olhar, a escuta e as intervenções psicopedagógicas estão voltadas aos movimentos subjetivos entre ensinante e aprendente frente ao conhecimento, no decorrer da construção do sujeito no ato de aprender, tendo como finalidade a autoria do pensamento, que é a descoberta da originalidade, da diferença, da marca, e a partir daí ,  abrir espaços para a criatividade.
Aprender significa mudar, crescer, tendo o passado como referência para descobrir o futuro e assim construir uma nova história, diferente daquela vivida até então:

                                                                                                                                                                                        “Necessitamos um modo diferente de analisar a relação entre o futuro e o passado para entender o que acontece em todo processo de aprendizagem. Aprender é construir espaços de autoria e, simultaneamente, é um modo de ressituar-se diante do passado”. (Fernández,2001:69).


O trabalho psicopedagógico pode ter um caráter preventivo, no sentido de reconstruir processos, definir papéis, valorizando novos conhecimentos, novas formas de aprender, novas formas de avaliar o conhecimento, pessoas, papéis, processos, produtos e objetivos.

A Psicopedagogia Clínica e Institucional
Dependendo da natureza da Instituição, a Psicopedagogia pode contribuir trabalhando vários contextos:

— Psicopedagogia Familiar – resgatando a família no papel educacional, diferenciando as múltiplas formas de aprender, respeitando as diferenças dos filhos.

— Psicopedagogia Empresarial –  resgatando a visão do todo, a  função        humanística,  as múltiplas inteligências, desenvolvendo sentimentos, trabalhando a criatividade e resgatando o diálogo.

— Psicopedagogia Hospitalar– possibilitando o lúdico e as oficinas.

— Psicopedagogia Escolar

o   Diagnóstico da Escola;

o   Busca da identidade da escola;

o   Definições de papéis na dinâmica relacional em busca de funções e identidades, diante do aprender;

o   Instrumentalização de professores, coordenadores, orientadores e diretores sobre a prática e reflexões diante de novas formas de aprender;

o   Reprogramação curricular, implantação de programas e sistemas avaliativos;

o   Oficinas para vivências de novas formas de aprender;

o   Análise de conteúdos e reconstrução conceitual;

o   Releitura, ressignificando sistemas de recuperação e reintegração do aluno no processo;

o   O papel da escola no diálogo com a família.

 OBJETIVOS DA PSICOPEDAGOGIA DO DESENVOLVIMENTO

1. Descrição da gênese e mudanças de conduta.
Consiste na descrição da gênese das condutas psicomotoras, afetivas, cognitivas e sociais, e do processo de mudanças dessas condutas ao longo da vida.
Estabelece relações entre os eventos do ambiente e o comportamento humano. Ex. O sorriso.
Os verdadeiros sorrisos aparecem por volta da terceira semana de vida, provocados por estimulação externa, voz humana, chocalho, etc. Na sexta semana o estímulo é a face humana e na sétima semana é a familiarização.

2. Fatores que afetam o desenvolvimento das condutas.
Refere-se à descoberta de fatores, mecanismos e processos responsáveis  pelo aparecimento das condutas e das mudanças.
São genéticos e ambientais como comportamentos inatos ou aprendidos, instintivos ou inteligentes, de maturação ou aprendizagem.
Essa classificação dicotômica coloca a discussão dos determinantes do comportamento em duas posições antagônicas: A primeira é que cada pessoa nasce com um conjunto de aprendizagem social.
Os fatores genéticos = estrutura herdada. E a segunda é  capacidade de organização do desenvolvimento de cada um.
O ser humano nasce com um repertório inicial de comportamento e capacidades que irão mediar sua interação com o ambiente. Repertório inicial: sucção, gustação, tato, visão, audição, são sensíveis ao estímulo fornecido pelo corpo da mãe.
O bebê apresenta desde o nascimento uma organização perceptiva muito elaborada que pode ser identificada pela discriminação e preferências por certos estímulos visuais e auditivos. A interação, organismo-meio, o conduz ao desenvolvimento da relação social.
O primeiro ano de vida – comunicação basicamente não verbal.

3. Identificação de estágios ou fases no desenvolvimento
Diz respeito ao estabelecimento de períodos críticos no processo de desenvolvimento.
A maioria dos estudiosos admite que o desenvolvimento humano ocorre por estágios ou etapas que se diferenciam pela qualidade da cognição (processo integração), do comportamento (resultado das intervenções disciplinares), das relações pela qualidade da cognição, do comportamento, das relações afetivas, etc.

 OS CASOS COMUMENTES ENCONTRADOS NA ESCOLA

 ANSIOSO – caracteriza-se por ansiedade, depressão, sentimento de inferioridade, solidão ou infelicidade.

 IMATURO – é agitado, descuidado, passivo, falta-lhe iniciativa e interesse. Apresenta reações afetivas sem razão aparente, como chorar ou gargalhar;.

 HIPERATIVIDADE – Tem um tempo de concentração curto, é incansável;

 EXPLOSIVO – Não controla seus impulsos agressivos, tem atitudes destrutivas com relação ao material escolar, resiste a submeter-se a regras.

AUTISMO – caracteriza-se por respostas anormais e estímulos auditivos ou visuais e por problema grave quanto à compreensão da linguagem falada.

AGRAFIA – Impossibilidade de escrever e reproduzir os seus pensamentos por escrito.

DISCALCULIA – Dificuldade para a realização de operações matemáticas usualmente ligadas a uma disfunção neurológica, lesão cerebral, agnosias digitais e deficiente estruturação espaço-temporal.

DISGRAFIA – Escrita manual extremamente pobre ou dificuldades de realização dos movimentos motores necessários a escrita.

 DISLEXIA – A criança é inteligente e criativa, porém, apresenta dificuldades de leitura, escrita e soletração. Lê repetidas vezes mas não entende o texto. Tem dificuldades para colocar os pensamentos em palavras. Dificuldades de lateralidade . Excelente memória para experiências, lugares e rostos.

DISORTOGRAFIA – Dificuldade na expressão da linguagem escrita, revelada por fraseologia incorretamente construída, normalmente associada a atrasos na compreensão e na expressão da linguagem escrita.

 CADA PESSOA É COMO UM DIAMANTE QUE PRECISA SER LAPIDADO

A lapidação é um trabalho que exige sabedoria, precisão e paciência. Cada pessoa é um diamante, que vem ao mundo em estado bruto. O trabalho de cada um de nós é descobrir como se lapidar para se transformar numa pedra preciosa de muito valor.
Nascemos e crescemos com determinadas características: mais explosivos, mais impacientes, tímidos, egoístas, intolerantes, malvados, irritadiços, medrosos ou impulsivos.
No decorrer da vida, muitas pessoas, situações e acontecimentos participam ativamente desse processo de lapidação: Os pais e os familiares que nos influenciam, o grupo social que nos encoraja ou nos oprime, o ambiente de estudo e de trabalho que nos exige, amoldam, direciona...
O que temos em excesso que precisamos abrandar? O que nos falta que precisamos desenvolver ou expandir?
É preciso que cada um de nós pense assim: Qual será o trabalho de lapidação necessária para que eu me coloque  no caminho do equilíbrio interior, que vai me proporcionar paz, harmonia, serenidade e força?
Esse é um trabalho de vida inteira; é para crianças, jovens, adultos e velhinhos. E ninguém se iluda: Esse trabalho é cansativo e, às vezes, dói bastante. Mas é o que nos permite atravessar os períodos difíceis sem nos quebrar por dentro e que nos permite viver com mais alegria os períodos fáceis.
Pesquisa feita em sites da INTERNET.

                        

terça-feira, outubro 05, 2010

Masarela e Kasumi
Hora do lanche

A Síndrome De Dowm E A Luta Contra O Preconceito Através Da Atividade Física!!

Por: Alexandre Vieira

A atividade física para portadores de necessidades especiais, neste artigo relacionado a pessoas com síndrome de Down,  é muito importante no processo de inclusão social, pois auxilia na socialização, na melhora o equilíbrio emocional e também ajuda prevenir doenças congênitas que por acaso venham a atingir estes indivíduos.
          A promoção da prática pedagógica adaptada as diferenças individuais dentro das escolas do ensino regular deve ser constante, mas para que isso ocorra, são necessários métodos, procedimentos pedagógicos, materiais e equipamentos adaptados. O professor especializado deve valorizar as reações afetivas de seus alunos e estar atento o seu comportamento global, para solicitar recursos mais sofisticados como a revisão medica ou psicológica.



E outro fato de extrema importância na educação especial é o fato de que o professor deve considerar o aluno como uma pessoa inteligente, que tem vontades e afetividades e estas devem ser respeitadas, pois o aluno não é apenas um ser que aprende.
         Um dos desafios para o momento é justamente a interação entre os vários profissionais que lidam com essa deficiência, pois o problema apresenta facetas que permeiam diferentes esferas do comportamento e níveis de análise do movimento humano.



Estudos mostram que pessoas com deficiências, notadamente os portadores da síndrome de Down, alguns tendem a se tornar sedentários, levando-os a desenvolverem problemas como obesidade, diabetes, colesterol e triglicérides altos, hipertensão e doenças cardíacas.

         O estudo lembra que os portadores desta síndrome têm tendência natural a uma compulsão alimentar, o que pode levar a uma alta do peso corporal, assim como uma pré-disposição à doenças do coração. Por isso, especialistas afirmam ser fundamental que os portadores da síndrome sejam estimulados desde criança à prática regular de alguma atividade física.

           Os exercícios mais indicados para quem tem esta necessidade especial são a caminhada, a corrida, a natação, andar de bicicleta, a dança e outras atividades que a própria pessoa considere como algo saudável para o bem estar fisco e principalmente cognitivo.. São atividades que podem ser feitas sem grandes dificuldades por estas pessoas e vão ajudar a uma melhora da condição corpórea, prevenindo doenças provocadas por uma vida sedentária e ajudando a melhorar a auto-estima e o equilíbrio emocional dos portadores da síndrome de Down.



A realização de atividades motoras deste aluno, além de exercer papel preponderantemente no seu desenvolvimento somático e funcional, estimula e desenvolve as suas funções psíquicas.



O maior desafio para os profissionais da Educação Física é facilitar o envolvimento de todas as pessoas, incluindo quem tem a Síndrome.



Não há sombra de dúvida de que os indivíduos com Down respondem positivamente aos programas de atividade motora. Esses benefícios envolvem desde a sua aptidão física e saúde, até a própria qualidade da execução motora.



          A atividade física, seja no âmbito escolar ou fora dele, deve ser considerado como um nível de grande importância para o desenvolvimento físico e mental dos deficientes e da conseqüente necessidade de exercícios, porém a princípio, fica necessário que o professor responsável destas aulas tenha conhecimento das atividades para que os alunos se interessem na prática de uma atividade física e esportiva, afinal, são seres humanos, e requer o mesmo respeito e consideração como todas as outras pessoas!

Perfil do Autor

Professor Especialista pela UNIFESP - Escola Paulista de Medicina em Bases Metodológicas e Fisiológicas do Treinamento Desportivo.

Graduado pela USP em Licenciatura em Educação Física (Aluno-especial - 1996) Graduado pela UNISA em Licenciatura e bacharelado em Educação Física (1998).

Experiência nas disciplinas de Ensino Superior: a) Metodologia de ensino I, II e III; b) Filosofia, Sociologia e História da Educação e da Educação Física; c) Didática de ensino e Prática de Ensino; d) Educação Física Adaptada (deficiência física, mental, auditiva e visual) e) Atividade Física para saúde (Cardiopatias, Obesidade, Diabetes( tipo I e II ), Distúrbios Respiratórios, Distúrbios Posturais, Distúrbios Ortopédicos, Gravidez, Aids, Câncer e Síndromes raras), e suas implicações em programas de exercícios físicos. f) Estágio Supervisionado g) T.C.C.

Docente na UNIBAN - Brasil.

(Artigonal SC #730296)

Fonte do Artigo - http://www.artigonal.com/esportes-artigos/a-sindrome-de-dowm-e-a-luta-contra-o-preconceito-atraves-da-atividade-fisica-730296.html

quarta-feira, julho 14, 2010

A PSICOPEDAGOGIA NO BRASIL: UMA POSSÍVEL LEITURA

A PSICOPEDAGOGIA NO BRASIL: UMA POSSÍVEL LEITURA

Edith Rubinstein

O artigo trata do percurso da Psicopedagogia no Brasil, as diferentes concepções ao longo do tempo e a contribuição do órgão de classe na difusão e no desenvolvimento da Psicopedagogia em nosso meio.
Para esta reflexão sobre o percurso da Psicopedagogia no Brasil estarei considerando três experiências de caráter pessoal, as quais julgo importantes para se pensar nos rumos da psicopedagogia brasileira. Quero frisar que esta leitura, deve ser compreendida como uma das possíveis leituras sobre os rumos da Psicopedagogia e da profissionalização daqueles que se dedicam à área. Esta reflexão está baseada na vivência profissional como psicopedagoga clínica; no convívio com os colegas da ABPp e como supervisora nas áreas clínica e institucional. Estas experiências me permitem acompanhar as diferentes visões que se têm sobre a Psicopedagogia e sobretudo das diferentes formas de compreender o fracasso escolar.
Em nosso país, (e acredito que em outros também), surgiram primeiramente profissionais que se dedicavam a atender crianças que por diferentes razões não conseguiam se adaptar à escola. Essas crianças ficavam à margem, eram discriminadas, sofriam. Não somente elas sofriam, mas também seus professores; alguns ficavam imobilizados, outros frustrados. Pais ficam aflitos quando seus filhos não correspondem ao que deles se espera. Todos os envolvidos: a criança, o mestre, os pais, esperam que o ato de ir à escola seja acompanhado do ato de aprender. Porém nem sempre está presente, na mente das pessoas, a concepção de que aprender é um processo complexo e que envolve múltiplas variáveis.
Os primeiros psicopedagogos eram profissionais da educação, sensíveis, idealistas, que queriam ajudar na reintegração daqueles que estavam à margem. As dificuldades para aprender eram atribuídas a uma inaptidão. O aprendiz, possivelmente, deveria ser portador de algum distúrbio que o impedia de aprender como seus demais pares, as causas estavam depositadas principalmente nele.
Os profissionais buscavam compreender as razões do não aprender a partir de explicações sobre a natureza do desenvolvimento orgânico, sendo que, em muitos casos as dificuldades em alguns casos eram associadas à questão da maturidade psico-neurológica.
Para compreender melhor as questões das dificuldades de aprendizagem, buscavam-se respostas através dos estudos de psicologia, neurologia, psicomotricidade, porém, a ênfase estava numa prática, nas técnicas que melhor atendessem às necessidades que tinham por objetivo reeducar, isto é educar novamente através de um método mais eficaz, específico para o aprendiz que apresentasse lentidão, ou alguma inaptidão.
Para formar profissionais que atendessem as crianças com fracasso escolar, surgiram primeiramente no Brasil cursos de curta duração os quais ofereciam subsídios para entender aspectos específicos como aqueles relacionados com a psicomotricidade; linguagem e raciocínio. Esses cursos eram ministrados por profissionais brasileiros com experiência no atendimento de crianças com dificuldades escolares ou por profissionais estrangeiros especialmente convidados, freqüentemente do cone sul. Os profissionais iam construindo um currículo acadêmico a partir das oportunidades que surgiam em suas cidades e baseados também em sua formação acadêmica e em seus interesses específicos.
Os livreiros especializados que visitavam os consultórios e as instituições também contribuíram para a formação dos profissionais. Eles ofereciam materiais especializados em reeducação: livros, jogos e material pedagógico, especialmente da Argentina e da Espanha. Nessa época os profissionais buscavam as melhores técnicas para o seu trabalho. Pessoalmente tive oportunidade de conhecer a linha de trabalho do Dr. Bernardo Quirós da Argentina, primeiramente através de seus livros e posteriormente em cursos breves oferecido pela ABRAFA (Associação Brasileira de Fonoaudiologia) em 1977. Nessa ocasião esteve presente em nosso meio professor Jacobo Feldman, membro do Centro Médico dirigido pelo Dr. Quirós, para ministrar o curso "Distúrbios da Aprendizagem Escolar".
Posteriormente, foram sendo formados cursos de longa duração, de especialização, que objetivavam, além de oferecer recursos para o trabalho, buscar uma compreensão mais global do fenômeno da aprendizagem e das suas dificuldades. Em geral o público que freqüentava estes cursos já vinha com alguma experiência profissional, alguns eram pedagogos, outros psicólogos e outros fonoaudiólogos.
Na década de 1970 já havia movimento científico/acadêmico em Porto Alegre, preocupado com a formação e capacitação de profissionais que atendessem a pessoas com os chamados "distúrbios de aprendizagem" ou "inaptidão para aprender". Tratava-se do curso dirigido pelo Dr. Nilo Fichtner, médico psiquiatra, e chamava-se Psicopedagogia Terapêutica.
Os primeiros cursos formais de Psicopedagogia eram denominados de Reeducação Psicopedagógica, Psicopedagogia Terapêutica, Dificuldades Escolares, A criança-problema numa classe comum, entre outros. Esses cursos ocorreram, primeiramente, nas cidades de Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.
Um fato histórico influiu fundamentalmente no percurso da psicopedagogia brasileira - a fundação da Associação de Psicopedagogos, que surgiu primeiramente como Associação Estadual de Psicopedagogos de São Paulo, em 1980, para posteriormente tornar-se Associação Brasileira de Psicopedagogia em 1985. Este foi sem dúvida um fato marcante, pois uma associação de Psicopedagogos, tornou-se uma associação de Psicopedagogia. Há nesta passagem uma diferença fundamental, pois se assume a área de conhecimento Psicopedagogia, a partir de um órgão de classe.
Em 1985 o tema do encontro de psicopedagogos foi: "O caráter interdisciplinar na formação e atuação do profissional". A escolha do tema sintetizava uma preocupação com a articulação entre o saber teórico e o saber prático mediado pela formação pessoal. Fazendo um olhar a posteriori percebe-se neste evento o início da construção do tripé indivisível e fundante da Psicopedagogia: conhecimento/atuação/formação. O conhecimento psicopedagógico não se sustenta sem a prática, e esta demanda uma formação pessoal específica. Esta articulação já vinha sendo gestada, mas foi na passagem de uma associação estadual de psicopedagogos para uma associação de caráter nacional de psicopedagogia, que se alastrou pelo Brasil afora um enfoque mais abrangente na formação profissional.
Não há como negar o fato de que, a partir da criação do órgão de classe, a Psicopedagogia ganhou força, corpo e penetração nos meios acadêmicos e reconhecimento público e oficial. Hoje existem várias prefeituras contratando profissionais que tenham especialização em Psicopedagogia.
Se no início do percurso profissional a ênfase estava nas técnicas, havia também preocupação com as teorias que melhor pudessem esclarecer o fenômeno das dificuldades de aprendizagem. A Psicopedagogia nasceu de uma falta; fez-se necessário oferecer melhores recursos teóricos e técnicos para capacitar profissionais que já atendiam a criança com inadaptação escolar. Se no início a capacitação ocorria fora do marco acadêmico, aos poucos foram sendo criados cursos mais densos, alguns por iniciativa particular. Aos poucos a formação começou a ser efetuada dentro dos cursos de especialização após a graduação e de mestrado dentro das universidades.
A concepção de Psicopedagogia ainda não é uniforme. Poder-se-ia dizer que ao longo da construção da disciplina é possível distinguir três orientações diferentes, as quais denotam diferentes concepções desta área de conhecimento:

1ª - Reeducação: a preocupação maior esta com as técnicas que melhor contribuem para promover a recuperação. As dificuldades são entendidas como distúrbios, inaptidão. O atendimento das dificuldades de aprendizagem, no seu inicio, estava mais vinculado a uma visão organicista. Os educadores buscam explicações preferencialmente na neurologia. Aspectos orgânicos são motivo de preocupação dos educadores e psicólogos, testes padronizados e a normatização são super valorizados.

2ª - Psicopedagogia Dinâmica: Começava a haver uma interlocução com várias áreas do conhecimento e um distanciamento da reeducação, cresce a preocupação com aspectos da subjetividade. A aprendizagem do sujeito cognoscente, enquanto processo, é o tema central da preocupação nesta orientação de Psicopedagogia. Apesar desta tendência dinâmica, construída a partir das articulações com diferentes áreas do conhecimento, a questão não se resolveu totalmente. Não foi suficiente adquirir o conhecimento de outras disciplinas, é necessária uma construção específica, ou seja, uma tradução psicopedagógica. Não basta introduzir a Psicanálise, a Lingüística, etc. como disciplinas, para sair do enfoque tecnicista ou organicista; é preciso construir uma Psicopedagogia que não se confunda nem com a Psicanálise, nem com a Lingüística ou demais áreas.

3ª - Psicopedagogia Transdisciplinar: A Psicopedagogia está ao mesmo tempo entre as disciplinas e além das disciplinas. Esta orientação surge a partir do momento em que os profissionais constroem instrumentos próprios, teorias e estratégias próprias. Ela vem com a maturidade sendo fruto da experiência acumulada. Dentro desta concepção busca-se avaliar o potencial de aprendizagem e o processo em si. Existe maior equilíbrio na compreensão dos aspectos da objetividade e da subjetividade. Valoriza-se a técnica do profissional, o seu estilo próprio de trabalho e não as técnicas em si.
Apesar de podermos distinguir essas três diferentes orientações/concepções dentro de uma perspectiva histórica do desenvolvimento da Psicopedagogia, elas coexistem, pois a questão da formação profissional é complexa. Nem todos os cursos oferecidos estão preparados para atender às necessidades dos profissionais em formação. Várias são as causas determinantes, algumas delas burocráticas, como, por exemplo, a exigência nos cursos de especialização latu sensu, de docentes com formação teórica e titulação, mesmo que sem experiência clínica ou institucional para dar conteúdos psicopedagógicos. Nem sempre está presente, nas instituições que formam psicopedagogos, a preocupação com a plena capacitação profissional, pois o estágio supervisionado nem sempre é oferecido. Felizmente, estes problemas estão sendo enfrentados, pois são os próprios alunos que buscam e pedem a qualidade dos cursos.
A preocupação com a qualidade dos cursos é muito salutar, mas não conseguirá resolver toda a questão da formação profissional. É evidente que, dentro desta área que lida especificamente com aprendizagem, não se conseguirá jamais construir um curso que corresponda plenamente a todas as necessidades. A formação continuada é uma condição sine qua non para todos aqueles que queiram exercer a função de psicopedagogos, seja na área clínica ou institucional.
Paradoxalmente pode-se dizer que a Psicopedagogia surge de uma falta, mas para garantir sua existência a falta deve continuar presente. Não há como se pensar em compreender a aprendizagem, complexa como é, através de postulados prontos. Entendo que a Psicopedagogia é a disciplina da indisciplina, da discussão, dos contrapontos, do questionamento, da incerteza.
A contribuição da Psicopedagogia, hoje, ultrapassa os limites da clínica dos problemas de aprendizagem. Ela foi criada primeiramente para dar conta das dificuldades que a escola não conseguia resolver de forma adequada. A partir do trabalho clínico, foi se construindo uma interlocução entre os terapeutas psicopedagogos e os profissionais da escola. Se no início apenas era escutado o pedido da escola em recuperar o aluno, hoje existe um movimento na direção contrária: os psicopedagogos mostram para os profissionais da escola um novo discurso, que sintetiza três postulados:

1) Dificuldades não necessariamente, são sinônimo de patologia.

2) Para compreender e avaliar dificuldades, os testes padronizados não são determinantes. Através da observação criteriosa da criança em ação, de seu estilo próprio de lidar com o conhecimento e com o saber, da compreensão do contexto onde ela se insere, contexto cabe aos profissionais levantarem as possíveis hipóteses, sobre as dificuldades que se apresentam.

3) Considerar a singularidade do sujeito e a relação vincular professor/aluno; pais/filhos podem contribuir para minimizar os efeitos da inadaptação escolar.

Presenciamos atualmente uma tendência interessante na Psicopedagogia: profissionais da Escola buscando recursos na Psicopedagogia, para melhor compreender a criança com dificuldades, há neste movimento uma preocupação salutar com a prevenção. O olhar clínico no sentido de considerar aspectos da singularidade do aprendiz e ao mesmo tempo uma atitude questionadora, torna possível uma intervenção psicopedagógica institucional. Esta nova posição dos profissionais da instituição, torna a Escola um local onde se vive a experiência do acolhimento, da tolerância, do respeito pelas diferenças. Sabemos hoje, que a integridade, autonomia e criatividade de uma nação dependem, em grande parte, da educação oferecida pelos educadores às novas gerações. É o professor dentro de sala, nessa intimidade, quem "toma as rédeas", quem assume esta função. É preciso tomar consciência dessa responsabilidade e se preparar continuamente para responder a essa função desafiadora, conflituosa e quem sabe até da ordem do impossível.
Hoje, os psicopedagogos estão ampliando seu olhar e seu campo de ação. Eles estão presentes onde se faz necessário aprender a aprender, nas mais diferentes instituições seja em empresas ou hospitais. O reconhecimento tem ocorrido pela contribuição e pelos efeitos da intervenção psicopedagógica.
Embora o fato da formação psicopedagógica se encaminhar rumo a uma visão transdisciplinar, devemos valorizar, sobretudo, a sua primeira condição que é a de educador. Os postulados do Relatório para a UNESCO, concretizam aquilo que para a psicopedagogia é a questão central: a aprendizagem. Potencialmente, podemos todos aprender pois é nossa condição de humanos e, ao aprender nos humanizamos. A questão central é: o educador é um possível agente de mudanças.
No Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI, sob o título: Educação - um tesouro a descobrir, coordenado e organizado por Jacques Delors, o professor é visto como agente de mudanças e formador de caráter e do espírito das novas gerações.
Neste documento, a Educação é vista sob quatro pilares. Para que a educação cumpra seus alvos é necessário que se organize em torno de quatro aprendizagens: aprender a conhecer, isto é adquirir ferramentas básicas para aprender; aprender a fazer, isto é adquirir uma profissão, aprender a viver juntos, a participar e cooperar com os outros e finalmente aprender a ser, pela qual se desenvolve a personalidade e identidade.
Para finalizar quero novamente ressaltar o papel fundante e fundamental d ABPp neste percurso da Psicopedagogia brasileira. A idéia de criar um órgão de classe surgiu dentro de uma instituição que forma psicopedagogos: Instituto Sedes Sapientiae. Um pequeno e idealista grupo de alunos, que estava terminando sua formação, não queria interromper os estudos e resolveu criar a associação com fins científicos culturais. Estava presente também na sua fundação o desejo de ver reconhecida e regulamentada a profissão. Isto ocorreu há mais de 20 anos. A Associação não somente nasceu para congregar e criar consciência profissional, mas também para dar continuidade à formação. A Associação nasceu e continua dentro de uma perspectiva científico cultural. É difícil imaginar a Psicopedagogia brasileira hoje sem a Associação.
Quero também lembrar o apoio recebido pelos professores do Instituto Sedes Sapientie que alimentaram o entusiasmo e acolheram os alunos no seu propósito de criar a entidade. O apoio era ideológico, mas também concreto e material, pois alguns professores ofereceram seus locais de trabalho para a primeira sede da Associação. Provavelmente, na fundação da Associação, nem o pequeno grupo de alunos e nem os mestres poderiam pensar que hoje esta Associação organizaria tantos congressos e encontros e que a Associação pudesse contribuir para que outros profissionais dos diferentes estados da União se organizassem em sessões e núcleos.
A Associação vem organizando cursos, seminários, encontros, congressos, correspondendo à sua proposta inicial: dar continuidade à formação dos profissionais da área. Sua revista é reconhecida pela qualidade da sua produção científica. Pode-se dizer que a ABPp e a construção da identidade da Psicopedagogia caminham juntas. Nos nossos encontros, seja em pequena quanto em grande escala, são discutidas as questões de natureza teórica, de natureza prática e ética da Psicopedagogia.
Tenho a convicção de que o clima de tolerância, acolhimento e convivência com as diferenças, que marcou o nascimento da Associação continua presente como marca desta agremiação. A Psicopedagogia é sem dúvida uma prática que se manifesta através de diferentes estilos. A Psicopedagogia brasileira vem construindo seu próprio caminho, ele se faz presente nas teses e monografias produzida nas Universidades e nos instrumentos de trabalho concebidos por psicopedagogos. É possível hoje olhar para a Psicopedagogia no Brasil, na sua "maioridade", construída dentro e fora dos marcos acadêmicos.
Não há como negar em nossa formação, contribuição dos nossos primeiros mestres brasileiros, sensíveis ao sofrimento da criança com dificuldades em sala de aula, Geny Golubi de Morais, em São Paulo, Nilo Fichtner em Porto Alegre, que entre outros, buscavam respostas para reintegrar a criança. Vieram posteriormente os mestres latino americanos: Sara Paín, Mabel Condemarin, Ana Maria Rodrigues Muniz, Jorge Visca, Alicia Fernandez. Suas contribuições foram fundamentais e determinantes. Foi com o impulso deles que pudemos sair da abordagem reeducativa e penetrar numa abordagem relacional, dinâmica. Na concepção atual de Psicopedagogia, estão incorporadas as modalidades de aprendizagem, isto é, leva-se em consideração a relação que o sujeito da aprendizagem estabelece com a construção maior do ser humano que é poder aprender, poder transformar. Pessoalmente estou convencida de que mais do que olhar para as dificuldades de aprendizagem, é necessário considerarmos o sujeito da aprendizagem em seu estilo próprio de se relacionar com o conhecimento e com o saber, inserido num contexto cultural onde está presente a sua singularidade.
A construção da identidade da Psicopedagogia vem com o tempo, com a maturidade, com a experiência dos profissionais, com a produção acadêmica, com a discussão, com a polêmica sadia, e, principalmente, com a consciência profissional advinda de uma agremiação forte e unida.

Bibliografia

Delors, Jacques - Educação, um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, Editora Cortez, São Paulo, 1999.

Rubinstein, E. - Da reeducação para a psicopedagogia, um caminhar, in Rubinstein, E. org. Psicopedagogia uma prática, diferentes estilos, Casa do Psicólogo, São Paulo 1999.

Rubinstein, E. - O estilo de aprendizagem e a queixa escolar: entre o saber e o conhecer. Dissertação de mestrado em Psicologia- UNIMARCO. 2002

Edith Rubinstein